domingo, 24 de abril de 2011


"Calo-me, espero, decifro.
As coisas talvez melhorem.
São tão fortes as coisas!
Mas eu não sou as coisas e me revolto.
Tenho palavras em mim buscando canal,
são roucas e duras,
irritadas, enérgicas,
comprimidas há tanto tempo,
perderam o sentido, apenas querem explodir."

(Carlos Drummond de Andrade)

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

O apagar de uma estrela.



Hoje o mundo do futebol vai acordar mais melancólico. Chegou ao fim uma das carreiras, no esporte, mais impressionantes que já vi. Uma passagem FENOMENAL pelo mundo da bola.
Não, eu não vi Pelé. Mas eu vi Ronaldo, o Fenômeno Ronaldo Nazário. O maior camisa 9 de que já se teve notícias.
Um exemplo de superação e competência, apesar das adversidades. Um profissional que honrou o nome do Brasil, o maior artilheiro em Copas do Mundo, Ronaldo era gol!

Assim como quase toda carreira futebolística, o declívio final foi inevitável e doloroso. Já não se podia mais fazer vista grossa e adiar o que era evidente: o corpo já não responde mais, tão bem, aos estímulos e comandos da mente, a musculatura se vulnerabiliza e o psicológico não aguenta. De fato, chegava a hora de parar e aposentar às chuteiras pesadas de histórias e inundadas de glórias.
Todas as superações e as "voltas por cima" não foram suficientes para que o nosso craque se convencesse pela permanência, era sim chegada a hora.




E como não poderia ser diferente, Ronaldo emocionou o mundo em sua Entrevista Coletiva, montada para o anúncio fúnebre. Ronaldo.. Ronaldo Nazário dos Santos, o nosso fenômeno, parou.
E agora ronaldinho? E agora? Quem vai vestir a pesada camisa 9 pentaestrelada, tão brilhantemente? Estamos desamparados e consternados. Órfãos de jogadores adoravelmente audaciosos, como ele.


Após todos esses anos sendo fiel ao futebol, só tenho uma coisa a dizer: - Valeu pelos gritos de gol, fenômeno!

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Pai


Ele nem sempre é tão presente e carinhoso, como propagam os poemas.
Pra dizer a verdade, muitas vezes ele é o oposto disso.
Mas é pra quem vamos correr quando faltar a força, o estímulo, quando não acreditarmos mais no mundo ou em nós mesmos.
Correremos a ele de qualquer forma, presencialmente, virtualmente ou mentalmente, não importa. Correremos ainda que seja em vão.
Pai é pai, não valendo a pena a diferenciação entre o que cria ou o que empresta o DNA. Pai é aquele a quem nos voltamos para contar das conquistas e dos fracassos.

E tudo bem que nem todos saibam ser, que nem todos encarem a responsabilidade que lhes é imputada, porque - ainda que só na teoria - é pai de alguma forma.
É do ser humano ser falho, tanto por isso que muitos dos filhos sequer sabem o que é ser filho de verdade.
O que eles não sabem ou ao menos ignoram, é que um pai é fundamental à formação da personalidade de cada um, ainda que distante, ainda que ele não seja um ser humano admirável. Isso porque, até mesmo o "como não ser" é parte integrante de uma personalidade ou do conjunto de princípios e valores inerentes ao ser humano.

Contudo, é reprovável a tendência a não valorização de um pai na atualidade. Quem tem, não sabe o que é ficar sem.
Também, é errado pensar em um pai como um melhor amigo, NÃO É! Amigo é amigo, pai é pai - é pra sempre, independente da manifestação de vontade.

E neste Dia dos Pais, não se preocupe em apenas felicitar-lhe pela data comemorativa; aliás, nem é necessário que o faça, pois ela é apenas uma referência para homenagear uma figura essencial.
Limite-se a pedir perdão pelas falhas e perdoar as dele, em rever seus conceitos, seus erros rotineiros e seus sentimentos.
Assim, dê importância a fazê-lo saber que és parte dele, ainda que não saibas demonstrar o afeto. Permita-lhe sentir que és um fruto eterno e que o amará independente de onde estiveres; independente das escolhas que fizeres.

Pai, eu te amo!

domingo, 25 de julho de 2010

Às avessas.



Eu sou uma implicante, irritante e inoportuna.

Gosto da inconveniência. A vida inteira fui assim!

Sei lá, as vezes penso que toda essa atração pelo mal não me faz bem. Por outro lado, não consigo me imaginar sendo amável todo tempo.

Os "amigosdetodomundo" nunca se destacaram, nunca foram odiados, invejados ou mesmo notados, não sabem o bem que faz uma conquista com torcida contra.

Tudo bem, talvez não seja mesmo o melhor jeito de se relacionar com as pessoas, mas é com certeza o mais emocionante.

A verdade é que eu nunca quis, mesmo, ser a queridinha da sala, de ganhar tapinhas nas costas e sorrisos de todos. Sempre precisei ter com quem competir, ter a quem superar, ainda que não seja saudável.

E, por mais incrível que possa parecer, eu nunca consegui ter um inimigo. É irritante, mas pessoas acabam gostando dessa falta de carisma.

É angustiante fracassar nesse tipo de missão. Por essa razão é que eu, frequentemente, troco de grupos e de foco. Não suporto ser simpática!

A amabilidade em excesso me desorienta.

domingo, 20 de junho de 2010

Pessoas como eu.


O mundo não compreende pessoas como eu.

Pessoas como eu não dizem o que os outros esperam ouvir; não fazem o que se deve fazer e possuem uma mutabilidade peculiar.

A singularidade que se faz presente em alguém que opta pelo sarcasmo e pela ironia ao invés de afeto é o ponto norte da personalidade de pessoas como eu.

Pessoas como eu dispensam os clichês da vida, e procuram sempre por pessoas iguais.

Já não se vê, mais, pessoas como eu. E é por esta raridade e escassez que pessoas como eu são exageradas e extremistas. É preciso se fazer notar e se fazer perceber que não se encontrará facilmente outra pessoa como aquela.

Não raras são as vezes em que não se mostram tolerantes e complacentes com o exposto pela rotina. Pessoas como eu precisam de novidades.

Definir-se? Bobagem! Pessoas como eu não devem fazer isso.

Viu-se, até então, uma introdução enrolatória para adentrar ao tema principal. A padronização dos que nos cercam.

Por tantas e tantas vezes pensamos no quanto determinada pessoa é igual ou diferente de quem supomos que somos.
Como se fosse destino, estava escrito.

Aquela melhor amiga presente desde muito novas só o é por pensarem de forma igual, certo? Errado!

Cada pessoa tem suas nuances e facetas, que se modificam em razão do caso em que se encontrarem.

Ocorre que projetamos no outro, o que imaginamos em nós mesmos; fato que será confirmado por qualquer mínima concordância que haja entre uma idéia e outra, da mesma forma, se não o for, taxar-se-á a mera discordância como diferença. Tudo em função de um desejo descontrolado de que ela seja - de fato - igual, afinal pessoas iguais não se criticam.
No fundo todo mundo busca em outro alguém a sua "pessoa como eu", porque ninguém deseja conviver e trocar emoções com quem não comungue de alguns mesmos princípios basilares da personalidade.

Por esta razão, ainda que não se encontre exatamente o pleiteado, faz-se o possível para moldá-la, até que se torne o que tanto se buscara. Fato que torna-se extremamente prejudicial, pois além de não sanearmos nossos defeitos, ainda os repassamos a outrem.

Talvez seja por isso que hoje eu não mais procure alguém como eu. Entretanto, não tenho dúvidas de que cada um, dos que comigo convivem, incorporam muito de mim.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Das coisas que sonhei

"Muito do que eu quis, se desintegrou no tempo.
Das coisas que eu sonhei, algumas conquistei, outras esqueci.
Hoje eu sou do tamanho das minhas conquistas;
E o vazio, dentro de mim, é do tamanho dos sonhos e desejos que não vivi."

domingo, 6 de junho de 2010

Insatisfação



Inquietude, taquicardia.

Quando as coisas não procedem como deveriam, ou como se esperava.

Há dias em que, de fato, é melhor não saber o que dizer.

Quando a nostalgia toma conta, nada que se possa fazer trará de volta a tranquilidade corriqueira. Fazer sentido já não faz mais tanto sentido. É preciso desestabilizar, inovar, diferenciar.

Ser feliz é um estado de espírito, que vai e vem, não há como manipular. É assim com todo mundo, por mais que possa não parecer. Reclamar da água porque é líquida, do sol porque é quente, talvez seja uma saída, mas nem de longe é a solução. Bom mesmo é viver cada emoção, ser alegre na alegria e triste na tristeza, crescer sobretudo e aprender sempre.

Viver requer mestria e tempero!

Sair do óbvio, dissimular à rotina e estimular a endorfina.

O pior dos problemas da gente é que nos acostumamos com o que não faz nos faltar o ar. Ser emocionalmente estável é um atributo que eu dispenso. Gosto da instabilidade, do frio na barriga, da incerteza e, até, da impaciência. Eu gosto é de sentir o coração acelerar, de lutar pelas causas perdidas só pra ter o prazer de ser contrária ao óbvio. Aliás, como deve ser chato ser óbvio.

A previsibilidade, definitivamente, me cansa.